quinta-feira, 5 de janeiro de 2012

O esbulho do Ensino Superior público

No Sol apareceu http://sol.sapo.pt/inicio/Sociedade/Interior.aspx?content_id=38019. A este propósito, importa dizer que as universidades mais produtivas têm gerado receitas que mais nenhum setor da administração pública está em condições de gerar. Mas não podem prescindir delas porque a redução do financiamento público tem sido obscena. Ora, subtrair receitas destas às universidades é um contra senso quando se lhes está constantemente a dizer que têm que "fazer pela vida" e arranjar dinheiro para funcionar. Se fossem universidades privadas, dos amigos, tinham todas as facilidades, claro, sobretudo se fossem infiltradas por maçonaria e opus dei.
Mas se calhar assim é que está bem. Quanto mais incultos, ignorantes e incapazes forem, mais os portugueses se deixarão espezinhar. Um bom ensino superior público, desse ponto de vista, é uma chatice...

quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

A propósito dos conselhos governamentais à emigração dos portugueses

Encontrei este post

http://entreasbrumasdamemoria.blogspot.com/2011/12/carta-aberta-ao-senhor-primeiro.html

que me suscitou o seguinte comentário:
Estou muito preocupado com a evolução provável desta situação. Noto que há uma repugnância avassaladora de muitos cidadãos pelos tipos que estão no governo. Não auguro nada de pacífico por aí.
A coisa fica pior quando se constata que há outros cidadãos que, longe de sentirem a mesma repugnância, parecem até gostar da pestilência. A convivência destas duas realidades pode ser explosiva. Só não é importante se os segundos forem muito menos do que os primeiros. Ora aí é que está a minha preocupação. A ausência de olfato parece ser uma doença epidémica. E a coisa pode dar para o torto.
De resto, como tenho bom nariz, quero dizer à Myriam que tem toda a minha solidariedade e que a sobranceria que revela relativamente aos pestilentos é inteiramente justificada!

Mais tarde, perante a torrente de outros comentários ao mesmo post, re-comentei e resolvi deixar aqui esse testemunho:


Venho incomodar-vos de novo apenas para dar largas à minha alegria e fazer uma proposta. Afinal eu estava certo.Como dizia no meu comentário anterior, "há outros cidadãos que, longe de sentirem a mesma repugnância [pelos tipos que estão no governo], parecem até gostar da pestilência. (...) A ausência de olfato parece ser uma doença epidémica." Muitos comentários que aqui ficaram demonstram este meu vaticínio à saciedade. Se calhar, para evitar tumultos e confrontos, podíamos dividir o país em propriedade horizontal: criava-se um piso adicional para onde subiriam e viveriam os de falta de olfato, porque lá em cima se acumulariam os maus cheiros, por convecção. E elegiam só para eles o governo dos de pituitária pouco sensível. E podiam logo, para concretizar a austeridade, deixar de consumir desodorizante. Também, lá nas alturas não faz muita diferença o mau cheiro, dada a proximidade do senhor.
Fica a minha modesta contribuição para a paz social.

sábado, 17 de dezembro de 2011

Teoria da conspiração?

Aqui  há tempos, o PM Passos Coelho disse numa cerimónia pública: "Que regime avançado é este que só gera desemprego, precariedade, recibos verdes ou contratos a termo?" 


Ora, por muito que isto tenha passado despercebido, é um passo mais, e muito mais claro, rumo à credibilização do fascismo friedmaniano. 


Com a cumplicidade da distração ou da consciente omissão manipulatória da comunicaçao social, os poderes vão insidiosamente descredibilizando a democracia, fazendo o mal e a caramunha: criam as condições económicas e sociais para as pessoas acharem que a democracia não as ajuda em nada de relevante e depois culpam a própria democracia que desvirtuaram e subverteram. E, de passagem, vão fazendo lucros fabulosos. E ainda por cima são eleitos! 


É o crime perfeito, com estratégia de médio e longo prazo para a eternização da exploração baseada na subjugação total. Depois digam que é teoria da conspiração!

domingo, 11 de dezembro de 2011

As nossas escusadas aflições

Há vários anos que o economista Carlos Carvalhas, por exemplo, vem chamando a atenção para estes factos. O artigo cujo link reproduzo, escrito com muita clareza, retoma este tema do roubo dos povos da Europa pela finança e talvez devesse ser distribuído sob a forma de panfletos por aviões sobrevoando a Europa. As redes sociais não são suficientes.
http://www.attacmadrid.org/?p=6047

sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

‎1º de Dezembro - um governo antipatriótico?

É bom lembrar que os povos têm sido quase sempre oprimidos por oligarquias. E estas, em capitalismo, não assumem nenhum valor patriótico. A pátria delas é o dinheiro. A cultura, "coisa lenta", como a caracterizou Saramago, é um conjunto de valores intangíveis, não monetarizáveis. Tem valor na memória e nos hábitos coletivos. Uma oligarquia estrangeira é sempre pior do que uma nacional porque é mais difícil desmascarar-lhe o desprezo pela cultura, exatamente porque não é nacional. Uma oligarquia nacional é sempre mais fácil de anatemizar por desrespeito aos valores do povo e da pátria. Por isso uma oligarquia estrangeira é, também, mais facilmente odiada.
O facto de os que tomaram o poder em 1640 não deixarem de ser oligarcas não retira a natural satisfação pelo fim da oligarquia estrangeira. O qual merece ser celebrado.
Mesmo que dizê-lo seja um cliché, a atual oligarquia no governo é tão má como o Miguel de Vasconcelos - aceita a venda da nação ao estrangeiro por dez reis de mel coado e ainda por cima procura apagar-lhe da memória o orgulho patriótico.

segunda-feira, 7 de novembro de 2011

Empobrecimento nas universidades - uma proposta singelamente revolucionária

Há que ser realista.
Por um lado, o governo porfia na aplicação disciplinada e rigorosa do plano neoliberal para o mundo nos próximos anos. Quanto mais espoliar, melhor. Não se podem esperar facilidades. Empobrecer é a palavra de ordem. Não se sabe, apenas, se alguém está a fazer cálculos para determinar o limite de empobrecimento que ainda permite extrair riqueza aos empobrecidos. Porque há um limite, mas a agenda neoliberal parece ignorá-lo, para já. Deixá-lo, dirão. Amanhã logo se verá, confiam, por certo.
Entretanto, nestas circunstâncias, há que procurar empobrecer inteligentemente. Tenho uma proposta.
Sabe-se que a lei de financiamento do ensino superior já não é aplicada há três anos. Sua excelência Mariano e sua excelência Crato ignoram esfingicamente que a lei Pedro Lynce estipula que o financiamento se faz por fórmula. Assim, como a dotação é calculada com base no histórico, com variações negativas sucessivas, ainda por cima, não há qualquer justificação plausível para que as universidades admitam novos alunos.
A minha proposta é, por conseguinte, muito simples: no próximo concurso nacional de acesso, as universidades não devem abrir vagas. As consequências positivas são várias:
1- diminui a quantidade de licenciados à procura de emprego daqui a três anos.
2- diminui a quantidade de alunos a que os poucos (cada vez em menor número) e envelhecidos  (cada vez mais velhos) docentes têm que tratar de todo o processo administrativo académico sobre as plataformas informáticas que em boa hora foram sendo operacionalizadas.
3- acaba-se a praxe, pelo menos por um ano.
4- os graduados que andam à procura de emprego terão menos concorrência daqui a três ou quatro ou cinco anos.
5- diminui a prazo a pressão emigratória de graduados.
6- o financiamento por aluno não diminui tanto no próximo ano, apesar do corte adicional que aí virá.
7- a retribuição dos docentes ficará um pouco menos deficitária por via da ligeira diminuição do volume de trabalho.
8- devido ao efeito referido no ponto 7, entre o trabalho e a gestão das finanças pessoais, os docentes talvez encontrem um par de horas para ainda tentarem publicar mais alguma coisa que evite a derrocada da produção científica, apesar de não terem financiamento para a ciência (recorde-se que o abaixamento da remuneração faz descer para níveis ainda mais miseráveis os proveitos que se conseguem obter por via da imputação de mão-de-obra nos projectos europeus).
Com este rol de vantagens, só não vê quem não quer ver. Fica a proposta. Ao CRUP, às universidades, aos Reitores. Era de homens. Mesmo quando se trata de mulheres.

domingo, 11 de setembro de 2011

O ataque da direita neoliberal às universidades

Mais uma no Público.
Este movimento de defesa tímida, pelo CRUP, do ataque do governo, tem a marca da hesitação e do compromisso e não vai servir para defender o ensino superior. Reitero o que aqui deixei em dois posts recentes, com a infeliz convicção de ter razão.
http://urtigadioica.blogspot.com/2011/08/afinal-as-universidades-tiveram.html
http://urtigadioica.blogspot.com/2011/08/as-universidades-que-se-cuidem.html